domingo, 27 de fevereiro de 2011

História antiga para LIDERANÇAS novas

A mais ou menos 1000 anos antes de Cristo, aquilo que hoje é o Estado de Israel era apenas uma porção de tribos; prá ser mais exato eram 12 tribos. Elas se uniram e coroaram um rei, que foi o primeiro rei de Israel. Quando este morreu, as tribos se dividiram; algumas ficaram autônomas, outras se mantiveram unidas e coroaram rei um dos filhos do falecido. Este foi assassinado pouco tempo depois e, então, o rei David (aquele mesmo do "David x Golias") fez o que chamamos, hoje, de "Governo de Coalizão", juntando todas aquelas tribos em torno de si, formando assim o Reino de Israel.
Porém, no meio do território havia uma cidade que não pertencia ao reino; mais que isso, era uma cidade estratégica, posicionada no alto de um monte, ideal para ser a capital. O que David fez? Muito simples para a época: juntou seus exércitos e foi tomar a cidade. Só que era complicado: além de ser no alto do monte, a cidade era muito bem cercada, tinha muros altos, praticamente intransponíveis. Os líderes da cidade chegaram a dizer que mesmo que a cidade fosse habitada apenas por cegos e aleijados, David não conseguiria vencê-la. E isto não deixava de ser verdade.
David era um líder esperto, daqueles que sabem que sempre pode ter alguém com uma boa idéia fazendo parte do time. Então, lançou um desafio: o homem que encontrasse uma maneira de entrar na cidade - e conseguisse fazê-lo, seria nomeado Comandante do Exército. Lançou o desafio entre as tropas. Imagine o alvoroço que não foi: teve, possivelmente, aqueles tímidos que preferiram ficar esperando; teve os 'espertos', que ficavam tentando copiar as idéias dos outros; teve também os inteligentes, que ficaram fazendo cálculos de todos os tipos; mas, apesar de todo esforço, ninguém conseguia encontrar uma alternativa.
Até que Joabe, um dos capitães do exército, raciocinou: "Caramba... como é que este povo se vira com o esgoto? Como a água da chuva e do esgoto saem de lá? Deve ter alguma saída... esta água não evapora: tem que sair por algum lugar." Ele, então, se pôs a procurar, reuniu homens de sua confiança, e descobriu a saída de água da cidade... Entrou por ela e, para a surpresa dos jebuseus (habitantes da cidade), "apareceu" lá dentro! Venceu-os, abriu as portas da cidade e David pôde conquistá-la, transformando-a na capital do reino. Ainda hoje Jerusalém é a capital do Estado de Israel. E Joabe, conseqüentemente, foi nomeado Comandante em Chefe dos Exércitos, uma espécie de Ministro da Defesa do reino de David.
Que lições podemos tirar deste episódio?
  1. Nem sempre o chefão sabe tudo. David tinha um objetivo: conquistar Jerusalém. Mas, não sabia como fazê-lo. Até fez uma tentativa, cercando a cidade com suas tropas, mas não foi o suficiente.
  2. Nem sempre se pode delegar uma tarefa a alguém específico. David não pôde chamar uma pessoa e ordenar que ela descobrisse uma maneira de entrar na cidade.
  3. A solução pode estar no meio do povo. Joabe era mais um membro das forças armadas de David, mas não era nenhuma "estrela".
  4. A solução pode ser bem mais simples, até inesperada. Quem imaginaria que a solução estaria no esgoto da cidade?
  5. Sem estímulo, ninguém faz nada. Joabe só se sentiu estimulado a descobrir uma alternativa quando foi oferecida uma promoção.

Esta meditação está baseada nos textos bíblicos de II Samuel 5:6-9 e I Crônicas 11:4-7.
Um abraço, e até a próxima!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A loucura das moedas brasileiras

A economia brasileira sempre foi piada em todo o mundo. Mesmo aqui no Brasil, nossos pais e avós (e até alguns de nós, um pouco mais experientes) nunca entendíamos muito bem o que estava acontecendo. Volta-e-meia trocava-se o nome da moeda, cortavam-se alguns zeros, dividia-se o resultado por algum número maluco, enfim... O resto do mundo não entendia, porque pros EUA o dólar é sempre o dólar; pro alemão, o marco é marco desde sempre; o inglês tem suas libras desde os tempos mais remotos; só nós que, diferente do resto, vivíamos trocando de moeda. Ok, ok, outros países descontrolados também passam por isso. Até que em 1994 a coisa se equilibrou, e segue equilibrada até hoje. Pelo menos, por enquanto... A inflação está mostrando, novamente, suas garras. Esperamos que a atual equipe econômica tenha a competência daquela que, em 1994, estabilizou a economia do país.
Fiz um pequeno estudo sobre estas moedas todas, e decidi mostrar aqui pra todo mundo, até como forma de mostrar a loucura que era.
Desde o império até 31.10.1942 nossa moeda era os Réis. Quando passava de um milhão, viravam "Contos de Réis".
Em 01.11.1942 resolveram implantar uma moeda nova, com o mesmo padrão internacional, chamada Cruzeiro (Cr$). Tudo o que era em Réis, ou em Contos de Réis, foi dividido por 1000 para 'virar' Cruzeiro.
A inflação ainda não era muito severa, mas existia. Aos poucos, a situação econômica do país foi se agravando, os militares tomaram o poder e, em 1967, fizeram uma reforma na economia - um dos muitos "pacotes econômicos" que tivemos. Implantaram, então, uma nova moeda, o Cruzeiro Novo (NCz$), e tudo o que era Cruzeiro foi, novamente, dividido por 1000 para 'virar' Cruzeiro Novo. Três anos depois, tiraram o "novo" do nome da moeda, e ela voltou a se chamar, simplesmente, Cruzeiro.
Na década de 1980 o Brasil foi redemocratizado, mas isso não resolveu os problemas econômicos; pelo contrário, eles se agravaram. Em 28.02.1986 a moeda mudou novamente: passou a se chamar Cruzado (Cz$). O nome foi uma homenagem à antiga moeda portuguesa, da época da colonização. Dividiram tudo por 1000 novamente, para 'virar' Cruzado.
Teve congelamento de preços, um monte de palhaçadas Brasil afora, mas nada resolveu: em 16.01.1989 outro 'pacote' criou o Cruzado Novo (NCz$), e novamente se dividiu tudo por 1000.
Em 16.03.1990 Collor assume, e muda novamente o nome da moeda, ressuscitando o antigo Cruzeiro (Cr$). Só mudou o nome da moeda mesmo, sem outras alterações. Digo, sem outras alterações na moeda; no resto, até confisco de dinheiro do povo ele fez!
Algum tempo depois Collor foi cassado, Itamar Franco (seu vice) assumiu, e a equipe econômica apresentou-lhe um novo projeto para tentar estabilizar a economia. Era um projeto de médio prazo, e ele assumiu o risco. Assim, em 01.08.1993 a moeda passou a se chamar Cruzeiro Real (CR$), e tudo foi, mais uma vez, dividido por 1000. Mas isto já era parte do plano que viria no ano seguinte: em 01.03.1994 tudo foi transformado em URV (Unidade Real de Valor), que foi meio que uma "dolarização branca" da economia. Lembro que, no dia-a-dia, as pessoas já negociavam apenas em dólar: compravam-se os bens em dólar, negociava-se tudo em dólar, e só se usava a moeda brasileira para efetuar o pagamento - isso quando a gente não tinha ido à casa de câmbio e comprado dólares mesmo... Fiz muito disso àquela época. Mas este plano, diferente de todos os outros, foi anunciado antecipadamente, e conseguiu-se mobilizar a população, os empresários, o mercado em geral. Ninguém mais aguentava tentativas malucas, e todos estavam interessados em fazer algo que, definitivamente, resolvesse nosso problema econômico. Só o povinho do PT era contra... Enfim, em 01.07.1994 criou-se uma nova moeda que tinha o valor da última URV - era como se, guardadas as devidas proporções, o dólar fosse adotado como moeda oficial, só que com outro nome: Real (R$). Este foi o último grande pacote econômico brasileiro: desde então temos uma economia equilibrada, ou pelo menos razoavelmente equilibrada.
Para ter uma ideia do poder corrosivo da inflação, veja o que aconteceu com o dinheiro brasileiro neste tempo todo:
Imaginemos que no início de 1967 alguém tivesse 2 quatrilhões e 750 trilhões de cruzeiros em casa (Cr$ 2.750.000.000.000.000,00):
Em 13.02.1967 foi transformado em 2 trilhões e 750 bilhões de cruzeiros novos (2,75 quadri dividido por mil = NCr$ 2.750.000.000.000,00). Ele correu ao banco e trocou seus cruzeiros por cruzeiros novos.
Em 15.05.1970 passou a se chamar 2 trilhões e 750 bilhões de cruzeiros (Cr$ 2.750.000.000.000,00). Como só mudou o nome, ele não precisou ir ao banco trocar nada.
Em 28.02.1986 foi transformado em 2 bilhões e 750 milhões cruzados (2,75 tri dividido por mil = Cz$ 2.750.000.000,00). Pronto: ele correu novamente ao banco e trocou seus cruzeiros por cruzados.
Em 16.01.1989 foi transformado em 2 milhões e 750 mil cruzados novos (2,75 bi dividido por mil = NCz$ 2.750.000,00). Outra corrida ao banco para trocar o dinheiro, substituindo os cruzados por cruzados novos.
Em 16.03.1990 passou a se chamar 2 milhões e 750 mil cruzeiros (Cr$ 2.750.000,00). Não precisou trocar as notas, porque só mudou de nome.
Em 01.08.1993 foi transformado em 2.750 cruzeiros reais (2,75 milhões dividido por mil = CR$ 2.750,00). Ele teve, novamente, que ir ao banco, substituir as notas de cruzeiros pelas notas de cruzeiros reais.
E, por fim, em 01.07.1994 foi transformado em 1 real (CR$ 2.750,00 dividido por 2750 = R$ 1,00). E ele voltou ao banco para trocar suas notas por uma moedinha de um real...
Ou seja, o que valia quase 3 quatrilhões há 43 anos atrás, chegou ao final de 1994 valendo 1 real. Se considerarmos a inflação que ocorreu depois disso, deve valer, hoje, uns 20 centavos...
Vou tentar resumir este negócio todo:
01.01.1967: Cr$ 2.750.000.000.000.000,00
13.02.1967: NCr$ 2.750.000.000.000,00
15.05.1970: Cr$ 2.750.000.000.000,00
28.02.1986: Cz$ 2.750.000.000,00
16.01.1989: NCz$ 2.750.000,00
16.03.1990: Cr$ 2.750.000,00
01.08.1993: CR$ 2.750,00
01.07.1994: R$ 1,00
É uma loucura, concordo. E, se a equipe econômica atual não tomar os devidos cuidados, é perigoso esse monstro todo acordar novamente, e voltar a desvalorizar nosso rico dinheirinho...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Explique isso para seu filho, se puder!

Vida de pai está cada vez mais difícil. Uma simples conversa com o filho pequeno pode gerar perplexidade. O diálogo de José Pedro com seu filho, de 10 anos, pode servir como prova desse fosso entre as gerações.
- Que você vai ser quando crescer, filho?
- Presidente da República, pai.
- Puxa, filho, que legal. Mas por quê?
- Pra não precisar estudar.
- Não, filho, não é bem assim. Precisa estudar muito.
- Então, quero ser vice-presidente.
- Vice, filho? Por quê?
- Pra não precisar estudar. O José de Alencar também só foi até a quinta série primária. Já posso parar.
- Não é assim, filho. Ele trabalhou muito e aprendeu.
- Pai! Todo mundo que se dá bem não estudou: o presidente, o vice, a Xuxa, o Kaká, o Zeca Pagodinho...
- É que eles têm um talento...
- Ah, entendi, estudar é para quem não tem talento?
- Não, filho, pelo amor de Deus! Artista é diferente.
- O presidente e o vice não são artistas.
- Não! Quer dizer! O presidente, de certo modo, até é.
- Se eu estudar, vou ganhar mais do que o Kaká?
- Menos..
- Ah, é? Então quero ir já para a escolinha.
- Você já está numa boa escola, filho.
- Quero ir pra escolinha de futebol.
- Não, filho! Você precisa estudar muito. A escola abre caminhos para as pessoas. Pode-se viver dignamente. Filho, você precisa ter bons valores. Pense numa profissão, numa coisa honesta e que seja respeitada. Não quer ser médico, dentista ou, sei lá, engenheiro?
- Não.. De jeito nenhum. Tô fora, pai!
- Mas por que, filho?
- Eles nunca vão ao Faustão.
- Isso não tem importância, filho. Que tal bombeiro?
- Vou querer ser astronauta ou jornalista.
- Hummm! Jornalista? Por que mesmo, filho?
- Não precisa mais ter diploma pra ser jornalista. Mas... Pensando melhor, acho que vou querer ser corrupto.
- Meu Deus, filho! Não diga isso nem de brincadeira!
- Na TV disseram que ninguém se dá mal por causa da corrupção e que tudo sempre termina em pizza. Adoro pizza. Quando for corrupto, vou pedir só de quatro queijos.
- Ser corrupto é muito feio, meu filho.
- Ué, pai! Se é feio assim, por que Brasília está cheia deles e quase todos conseguem ser reeleitos?
- É complicado de explicar, filho. Mas isso vai mudar.
- Quero ser corrupto e praticar nepotismo.
- Cale a boca, filho! De onde tirou essas barbaridades?
- É só olhar a televisão, pai. O Sarney pratica nepotismo e é presidente do Senado. Ninguém pode mexer com ele.
- Mas você sabe o que é nepotismo, filho?
- Sei. É empregar os parentes ... se possível, como funcionário público ou, ao menos, num cargo de confiança.
- E você quer fazer isso?
- Claro! Assim ia acabar com os vagabundos da família. Se eu te arrumar um emprego, você deixa?

(Recebi por e-mail de meu amigo Luiz Corcini. se alguém souber a autoria, favor me avisar para que eu dê os devidos créditos, ok?)